- 12 de dez. de 2025
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Declaração marcou o encerramento da Conferência, que aprovou propostas para ampliar a presença do Estado na garantia de direitos
Brasília, 12 de dezembro de 2025 — A 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos (13ª ConDH) encerrou nesta sexta-feira (12) sua etapa nacional com a leitura e aclamação das 18 propostas prioritárias, definidas nos Grupos de Trabalho, e a aprovação das moções apresentadas pelas delegações. O encerramento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a ampliação da presença do Estado na garantia de direitos e afirmou que “o Estado tem que ir até o povo”.
Na plenária final, Lula destacou o papel da participação social na construção das políticas públicas e afirmou: “Vocês nos mostram que existem e que querem viver num mundo possível. Meu papel não é apenas governar, é cuidar com carinho do povo brasileiro.” Ao tratar dos desafios persistentes do país, declarou: “Vamos lutar sempre e desistir jamais.” O presidente também abordou a violência contra mulheres e a disseminação de discursos de ódio nas redes digitais, afirmando que “proteger a vida e a integridade física de meninas e mulheres não é censura; é responsabilidade.”
As decisões aprovadas na plenária sintetizam o processo de debate iniciado nas etapas municipais, estaduais, livres e digital e passam a orientar a formulação das diretrizes nacionais da política de direitos humanos. As propostas priorizadas, uma por Grupo de Trabalho, abordam temas como enfrentamento às violações de direitos, fortalecimento da participação social, justiça climática, memória e reparação, proteção internacional e institucionalização do Sistema Nacional de Direitos Humanos.
O último dia da Conferência reuniu representantes do poder público, conselhos e sociedade civil em um momento de validação dos consensos construídos ao longo do encontro. Além do presidente Lula, a mesa da plenária final também foi composta pela ministra de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, pela presidenta e vice-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), Charlene Borges e Ivana Leal, pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pelo defensor público-geral federal, Leonardo Cardoso de Magalhães e pela primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, conferindo peso institucional e caráter plural ao encerramento da etapa nacional.
Ao abrir a mesa, Charlene destacou que o encerramento da Conferência reafirma o compromisso histórico com a construção do Sistema Nacional de Direitos Humanos e com o reconhecimento da diversidade da população brasileira, além de lembrar a trajetória de defensoras e defensores que perderam a vida na luta por direitos.
Durante a plenária, Macaé Evaristo assinou atos institucionais alinhados às diretrizes debatidas na Conferência, entre eles a portaria que cria o Programa Raízes da Cidadania, voltado à garantia do registro civil de nascimento, a instituição do Fórum das Mulheres e a Portaria Interministerial de Proteção a Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos. Ao se referir ao significado político do encerramento do encontro, a ministra afirmou: “No último dia da Conferência celebramos quem resistiu, quem defendeu direitos na pandemia, na ausência do Estado e em meio a tantos retrocessos.”
A ministra também mencionou ações na área de memória e reparação, como o acordo firmado com a Unesco para marcar locais de violação de direitos durante a ditadura. “A população brasileira precisa saber, conhecer e construir sua memória”, afirmou. Ao final de sua fala, reforçou o compromisso do governo com a democracia e declarou: “Nós não abriremos mão dos direitos humanos e da democracia. Vamos seguir construindo juntos, atentos e fortes.”
Na mesma plenária, o presidente Lula assinou o documento contra todas as formas de discriminação e intolerância, que será encaminhado ao Congresso Nacional, e o Projeto de Lei de proteção a defensoras e defensores dos direitos humanos.
Com o encerramento da plenária e a validação das propostas prioritárias e das moções, a 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos concluiu sua etapa nacional, encerrando um ciclo de debates que deverá orientar o fortalecimento das políticas públicas de direitos humanos no Brasil.


